segunda-feira, 7 de setembro de 2015

O Dia da Independência - 07 d Setembro de 1822


DIA 07 DE SETEMBRO - DIA DA INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

O Brasil desde sua descoberta em 1500 não era visto além de uma mera colônia Portuguesa, não possuindo quaisquer liberdades como Estado próprio sendo subjugado econômica, cultural e politicamente. A exploração dos recursos e riquezas já não contentavam os colonos locais, que aos poucos se insurgiam no interesse separatista.

A ideia de liberdade, ocorrida graças à Independência das colônias norte americanas em 1776 começou a inspirar os ideais de liberdade por todas as colônias ora instaladas, dentre elas a da Terra de Santa Cruz. Neste período ocorre também a Revolução Francesa, inspiradas nos ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, que pôs fim aos regimes absolutistas europeus e ascendendo os interesses burgueses.

Os movimentos reacionários como a Inconfidência Mineira e a Conjuração Baiana começaram a surgir porém estes foram sufocados pela coroa Portuguesa.

Dom João VI, que se encontrava no Brasil por conta do refúgio contra as tropas francesas, percebia o risco que pairava sobre a coroa no Brasil e passaa proibir as sociedades secretas, em especial à Maçonaria, principal articuladora da Independência.

Gonçalves Ledo, político e jornalista brasileiro, escreve em 20 de maio de 1822 carta ao Príncipe Regente, Dom Pedro I com o seguinte teor:

"Quando uma nação muda seu modo de existir e pensar, não pode, nem deve tornar a ser governada como era antes da mudança. O Brasil, elevado à categoria de reino, reconhecido por todas as potências (...), tem inquestionável jus a reempossar-se da porção de soberania que lhe compete porque o estabelecimento da ordem constitucional é um negócio privativo de cada povo. A natureza não formou satélites maiores que seus planetas. A América deve pertencer à América, a Europa à Europa; porque não debalde o Grande Arquiteto do Universo meteu entre elas o espaço imenso que as separa. O momento para estabelecer-se um perdurável sistema, e ligar todas as partes do nosso grande todo é este. Desprezá-lo é insultar a Divindade em cujos decretos ele foi marcado, e por cuja lei apareceu na cadeia do presente. Tu já conheces os bens e os males que te esperam e à tua prosperidade. Queres? Não Queres? Resolve, Senhor."

Dom Pedro I declara então, que as tropas portuguesas que desembarcassem em solo tupiniquim são inimigas.

O ano de 1822 foi um ano de muito tumulto, para o Regente, começando pelo Dia do Fico, quando contrariando as ordens da corte portuguesa e aderindo à causa brasileira, permanece no Brasil.

O Dia da Indepedência


Em 07 de Setembro de 1822 Dom Pedro recebe, às margens do Rio Ipiranga diversos documentos, entre eles uma carta do Rei Dom João VI, , uma carta da Imperatriz Leopoldina, uma carta de Chamberlain, agente secreto do príncipe e instruções da corte Portuguesa determinando seu imediato retorno a Portugal e a prisão de José Bonifácio de Andrada e Silva.
José Bonifácio escreve também ao Regente dizendo:

"Senhor, as Cortes ordenaram a minha prisão por minha obediência a V. Alteza e no seu ódio imenso de perseguição atingiram também aquele que se preza em o servir com lealdade e dedicação do mais fiel amigo e súdito. O momento não comporta mais delongas e condescendências. A revolução já era preparada para o dia de sua partida. Se arte, temos a revolução do Brasil contra Portugal e Portugal atualmente não tem recursos para subjugar um levante, que é preparado ocultamente para não dizer quase visivelmente. Se fica, tem V. Alteza contra si o povo de Portugal, a vingança das Cortes, que direi?! Até a deserdação, que dizem já estar combinada, Ministro fiel que arrisquei tudo por minha Pátria e pelo meu Príncipe servo obedientíssimo do Senho D. João VI, que as Cortes tem na mais detestável coação, como Ministro, aconselho a V. Alteza que fique e faça do Brasil um reino feliz, separado de Portugal, que é hoje escravo das Cortes despóticas. Senhor, ninguém mais do que sua esposa deseja a sua felicidade e ela lhe diz em carta que com esta será entregue que V. Alteza deve ficar e fazer a felicidade do povo brasileiro, que o deseja como soberano, sem ligações e obediências às despóticas Cortes portuguesas que querem a escravidão e a humilhação do seu adorado Príncipe Regente.
Fique é o que todos pedem ao Magnânimo Príncipe que é V. Alteza, para orgulho e felicidade do Brasil. E se não ficar, correrão rios de sangue nesta grande nobre terra querida do ser Real Pai, que já não governa em Portugal, pela opressão das Cortes; nesta terra que tanto estima V. Alteza e a quem tanto V. Alteza estima"


Em resposta a essa carta Dom Pedro conclama:

"As Cortes me perseguem, chamam-me com desprezo de rapazinho e de brasileiro. Verão agora quanto vale o rapazinho. De hoje em diante estão quebradas as nossas relações; nada mais quero do Governo portugês e proclamo o Brasil para sempre separado de Portugal."

O Verdadeiro Hino da Independência

O Hino da Independência foi composto por Evaristo da Veiga e sua música atribuida à Dom Pedro I. Segundo a tradição, Dom Pedro teria escrito a musica às quatro horas da tarde do dia 07 de Setembro de 1822.

O Hino foi adotado como Hino Nacional, porém com a queda de popularidade de Dom Pedro I, que redundou em sua abdicação ao trono, o hino passou a ser desprestigiado, por conta de sua associação com o Imperador. Algumas estrofes foram suprimidas e aqui se encontram em negrito:

Já podeis da Pátria filhos
Ver contente a Mãe gentil,
Já raiou a Liberdade
No Horizonte do Brasil
Já raiou a Liberdade
Já raiou a Liberdade
No Horizonte do Brasil

        Refrão
       Brava Gente brasileira
       Longe vá, temor servil
       Ou ficar a Pátria livre
       Ou morrer pelo Brasil
       Ou ficar a Pátria livre
       Ou morrer pelo Brasil

Os grilhões que nos forjava
da perfídia astuto ardil,
Houve mão mais poderosa
Zombou deles a do Brasil
Houve mão mais poderosa
Houve mão mais poderosa
Zombou deles a do Brasil

Refrão

O Real Herdeiro Augusto
Conhecendo o engano vil,
Em despeito aos tiranos
Quis ficar no seu Brasil
Em despeito aos tiranos
Em despeito aos tiranos
Quis ficar no seu Brasil

Refrão

Ressoavam sombras tristes
Da cruel Guerra Civil
Mas fugiram apressadas
Vendo o Anjo do Brasil
Mas fugiram apressadas
Mas fugiram apressadas
Vendo o Anjo do Brasil

Refrão

Mal soou na terra ao longe
Nosso grito varonil
Nos imensos ombros logo
A cabeça ergue o Brasil
Nos imensos ombros logo
Nos imensos ombros logo
A cabeça ergue o Brasil

Refrão

Filhos clama, caros filhos
E depois de afrontas mil
Que a vingar a negra injúria
Vem chamar-vos o Brasil
Que a vingar a negra injúria
Que a vingar a negra injúria
Vem chamar-vos o Brasil

Refrão

Não temais ímpias falanges
Que apresentam face hostil
Vossos peitos, vossos braços
São muralhas do Brasil
Vossos peitos, vossos braços
Vossos peitos, vossos braços
São muralhas do Brasil

Refrão

Mostra Pedro a vossa frente
Alma intrépida e viril,
Tendo nele o Digno Chefe
Deste Império do Brasil
Tendo nele o Digno Chefe
Tendo nele o Digno Chefe
Deste Império do Brasil

Refrão

Parabéns, ó Brasileiros
Já com garbo varonil
Do Universo entre as Nações
Resplandece a do Brasil
Do Universo entre as Nações
Do Universo entre as Nações
Resplandece a do Brasil

Refrão

PARABÉNS A TODOS OS BRASILEIROS QUE POR SUAS ATITUDES, HONRAM E DIGNIFICAM O LEMA "INDEPENDÊNCIA OU MORTE"

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Visita Guiada ao Obelisco do Ibirapuera - Espada de Pedra fincada no Coração dos Paulistas



Em 30 de Maio deste ano de 2015, após um longo processo de restauração, tivemos a 1ª visita Guiada ao Obelisco do Ibirapuera, que simboliza a luta de São Paulo pela criação de uma Constituição.

O evento foi um sucesso sendo que 135 pessoas estiveram presentes

Há que se agredecer a todos os associados e amigos de luta da Sociedade Veteranos de 32-MMDC e em especial ao Cel Mário Fonseca Ventura, Presidente da Sociedade, Sr Ricardo Della Rosa, fundador do Blog "Tudo Por São Paulo", o Exmo Sr. Cel PM Ricardo Gambaroni, Comandante Geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

Abaixo seguem fotos:





















Um grande abraço a todos os leitores.

Seguimos sempre à disposição

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

A REVOLUÇÃO DE 32 EM ARAÇATUBA - UM OLHAR DE FABRICIANO JUNCAL

Fabriciano Juncal nos conta com detalhes como tudo aconteceu, e nos fala sobre a presença marcante de Araçatuba e de nossos bravos voluntários, nessa revolução que mudou o brasil.

A 9 de julho de 1932, explodiu a Revolução Constitucionalista em São Paulo, porque a locomotiva que já "puxava" o Brasil havia sido ocupada por forças ditatoriais, sendo interventor o Coronel João Alberto Barros, auxiliado por um grupo de tenentes.
Unidas, as forças políticas exigiam um interventor civil e paulista, mas a ditadura a isso se negou. Não foi propriamente o Dr. Getúlio Vargas que negou tal a São Paulo, mas o Tenente Miguel Costa e outros companheiros, pois São Paulo era a "mamata". Além do mais, São Paulo sempre esteve inferiorizado nesse campo, pois Minas Gerais tinha Governador mineiro e outros Estados interventores civis ou, então, militares mas filhos do mesmo Estado.
Os paulistas não podiam aceitar essa situação. Ora, era o Estado líder em tudo!
A situação era revoltante. A conspiração atingiu seu auge em 9 de julho, quase dois meses depois da tragédia da praça República quando Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo foram fuzilados pelas forças policiais da Interventoria.
O maior conspirador e elemento de ligação foi o jornalista Júlio Mesquita Filho (os homens de imprensa sempre estão de um lado, certo ou errado, mas não fogem da luta e se definem logo). O dr. Julinho conspirava nos Estados do Rio Grande do Sul e Minas Gerais, que se comprometeram com São Paulo a aderir ao movimento que visava ao retorno da legalidade constitucional e democrática à chefia da Nação.
Infelizmente, isso não ocorreu. Rio Grande do Sul e Minas Gerais negaram-se a colaborar com São Paulo, e ficamos sós, tendo que agüentar o peso da ditadura durante 120 dias: uma verdadeira odisséia.
Em pleno centro da capital paulista, formou-se o M.M.D.C. (homenagem aos estudantes fuzilados), do qual faziam parte Antônio Carlos de Abreu Sodré, Paulo Nogueira Filho, Abelardo César Vergueiro, Waldemar Ferreira (sogro do hoje deputado Herbert Levy) e muitos outros honrados paulistas.

A princípio, já com as escaramuças armadas em andamento, o chefe foi o Coronel Euclides Figueiredo. Depois, o General Krieger, que logo organizou comboios de tropas regulares sob o comando do Coronel Polimério de Rezende.


A ordem inicial era seguir para o Rio de Janeiro e tomar a Capital Federal.
Mas, no famoso Túnel, tivemos a nossa marcha interrompida pelas forças federais que nos barraram.
Começaram os combates.
Em 9 de julho, recebíamos do saudoso amigo e valente companheiro Carlos de Abreu Sodré a ordem de organizarmos o M.M.D.C. em Araçatuba e o fizemos convidando para integrarem o grandioso e patriótico movimento os Srs. Mário Camargo, dr. Dario Ferreira Guarita e o prefeito João Arruda Brasil, pai do hoje vereador Floriano.
Todos aceitaram e teve início o trabalho de arregimentarão de voluntários e reservistas.
Instalamos o Quartel General na Praça Rui Barbosa, no velho prédio da Antiga Câmara Municipal. Mais tarde, organizamos salão de costura para confeccionar as fardas dos soldados, quando as senhoras araçatubenses tiveram um destaque maravilhoso, pois trabalharam com bastante prazer e entusiasmo.
Araçatuba foi, sem dúvida, o centro regional do levante: aqui se congregaram as forças revolucionárias da Noroeste, aqui organizamos os concursos para oficiais, comissões para requisitar armamentos e tudo o mais que fosse necessário para o êxito da Revolução. Enumeramos alguns preciosos colaboradores: Manoel da Silva Prates e João Vasconcelos. Este desempenhou com eficácia as missões que lhe foram confiadas em Valparaiso, onde se construía naquela época a variante da Noroeste do Brasil.
Dois batalhões de homens dispostos saíram de Araçatuba para a frente de batalha.
O primeiro, sob o comando do Dr. Dario Ferreira Guarita, dirigiu-se para São Paulo e tomou o nome de "4 de Julho", aquartelando-se no Instituto do Café, ficando aos cuidados do Major Saitcher, da gloriosa Força Pública de São Paulo. Seguiu depois para a frente de luta. Deste batalhão faziam parte, entre outros, Aureliano Valadão Furquim, Paulo Leite Ribeiro, João Vasconce-los, num total de aproximadamente 800 soldados, muitos da finaflor da sociedade araçatubense, outros da lavoura, outros comerciários, industriários, marceneiros, tropeiros, boiadeiros, estudantes, contadores etc.
O outro batalhão, do qual fazíamos parte, era formado por gente da Noroeste, de Penápolis, Lins, Birigüi, Bauru etc, saindo de Araçatuba sob o comando do Dr. Antônio Cajado de Lemos. Nosso destino era a capital, mas em Bauru recebemos ordem de regressar para Campo Grande. Voltamos e ficamos acampados e incorporados ao 18º. Batalhão de Caçadores em Mato Grosso, Estado que não aderira totalmente como tinha dito o General Krieger, o único que permaneceu ao lado dos paulistas.
Com São Paulo estava apenas o 18º Batalhão de Campo Grande. Com a ditadura, os 16º e 17º de Cuiabá e, neutros, o 10º de Cavalaria de Bela Vista e o 11º de Ponta Porã.
Em Campo Grande, depois, recebemos instrução e o Coronel Joaquim Tardié de Aquino Correia, Comandante do 18º distribuiu os postos e nos deu um comando militar o saudoso Capitão Geraldo de Oliveira (barbaramente assassinado em 1935 pelos comunistas, no 3º R.I. do Rio de Janeiro). Com o Tenente Jurandir de Barros, comandante da Seção de Metralhadoras, tivemos a chefia das forças da ativa com os voluntários de Mato Grosso, desempenhando o papel eficiente e prático, pois de início tivemos de sufocar a revolta do Regimento Misto de Artilharia de Campo Grande, que foi ocupado pelas nossas forças, ficando no seu comando o Major Salaberri.
Com a ida para São Paulo do General Krieger, assumiu o Comando em Mato Grosso o Coronel Horta Barbosa, mais tarde presidente do Conselho Nacional do Petróleo, nacionalista cem por cento, comandante dos bons e amigo acérrimo de São Paulo.
Em princípios de agosto, as forças de Cuiabá marcharam para tomar Campo Grande e logo que o Comando teve notícias disso, deslocou duas peças de artilharia e uma companhia de infantaria para Coxim, comandando as forças o 1º Tenente Dechaus Cavalcanti, hoje general: dessa expedição fizeram parte nossos soldados e ainda o tenente voluntário Arthur Pagnossí. Em Coxim, depois de alguns disparos, os ditatoriais pararam e acamparam, desistindo de avançar sobre Campo Grande.


Ainda logo no início de agosto, chegavam a Campo Grande os srs. Paulo Nogueira Filho e Abelardo Vergueiro César, o comandante Lisias Rodrigues e tenente aviador J. Ribeiro, mais tarde abatidos em Santos quando bombardeavam um "destróier" da ditadura.
A finalidade da viagem a Campo Grande era a compra de dois aviões de bombardeio ou troca por café, por isso levavam três vagões de café limpo. Organizou-se em Campo Grande o comboio para conduzir o café e trazer os aviões de Concepción, no Paraguai. Fomos destacados para comandar essa operação, levando 10 dias para levar o café e trazer os aviões, trazendo-os para Campo Grande onde foram montados e entregues aos aviadores Lisias e J. Ribeiro.
Alguns dias mais tarde, Três Lagoas tornava-se praça de guerra, pois as forças de Goiás ameaçavam, tendo tomado Santana do Paranaíba. Às pressas, fomos deslocados fora de Campo Grande, com peças de artilharia e metralhadoras, sob o comando do Capitão Bahia. No rio Quitéria, após uma batalha, estacionaram as forças inimigas.
Assim passamos os meses de julho e agosto.
No dia 2 de setembro, recebemos ordens em Campo Grande de seguirmos com urgência para São Paulo. Na mesma noite, o Batalhão embarcou sob o comando civil do Dr. Antônio Cajado de Lemos e comando militar do Capitão Geraldo de Oliveira e os tenentes da força regular Jurandir e Barros, além dos voluntários Capitão Lourenço, Jonas D. de Mello e Ascenso Novarese.
Já em São Paulo, um médico paulista nos colocou a par da situação. Soubemos então que o 4.° Batalhão "9 de Julho" de Araçatuba tinha sido aprisionado, felizmente sem baixas. O Cel. Romão Gomes solicitou ao nosso Comando uma seção de metralhadoras e uma companhia, o que foi cedido, e as nossas forças foram sob o Comando do valente e destemido Capitão João Lourenço, que pretendia invadir Minas Gerais para sustar o avanço sobre Campinas.
Antes, o Dr. Queiroz Guimarães, (médico paulista, mais tarde Secretário da Saúde do Estado), chefe do corpo clínico do Batalhão, dizia-nos que a ordem era seguir para São Carlos. E lá estávamos acampados, aguardando novas ordens, pois as forças da ditadura ameaçavam Barretos e dia 6 recebemos ordens para seguir urgentemente para Campinas. Lá nos recebeu na estação o Cel. Oscar Saturnino de Paiva, que convidou-nos para uma entrevista no sagão da Estação quando ocorreu uma reunião.
Em Rio Claro, havia sido preso o Dr. Queiroz Guimarães por ordem do Governo de São Paulo quando íamos para Campinas, assumindo a chefia o então quartanista de Medicina, hoje médico em Araçatuba, Ruy de Castro Ferreira.
Seguimos depois para Pedreira onde acampamos no Morro do Grave. O comando civil e o corpo médico se instalaram na Fazenda Castelo, sendo que a nossa chegada não foi muito feliz pois perdemos quatro soldados, um de Lins.
O comando civil foi cercado e aprisionado em 8 de setembro, inclusive o Sargento Nicolau Fares. O Dr. Ruy fugiu pelos fundos da fazenda.
Nós, lá no Morro do Grave, seguramos os soldados da ditadura e lá ficamos até o dia 28 de setembro, quando recebemos ordens de retirada, pois havia terminado a Revolução.


O Cel. Herculano de Carvalho negociara a paz, nós nos retiramos para Jundiaí, mas de uma séria conferência entre os nossos oficiais, resolveu o Comando seguir para São Paulo, e depois, ante a negativa do agente da estação em nos fornecer trem, nosso Comandante telegrafou ao Coronel Herculano que nos autorizou a seguir para São Paulo. Lá ficamos, no Liceu de Artes e Ofícios, onde a Liga das Senhoras Católicas nos tratou com carinho e distinção até o dia 12 de outubro de 1932, quando o nosso Comando recebeu ordens de Campo Grande para entregar armas, na 2ª Região Militar de São Paulo e regressar, distribuindo os voluntários na Zona Noroeste e os pertencentes ao 18º deviam regressar ao Batalhão em Campo Grande, pois não haveria punição de espécie alguma.
Terminava assim a nossa participação, e de milhares de outros jovens idealistas, na grande odisséia que honrou São Paulo, tornando-o maior, ainda que derrotado, e Araçatuba, esta Sentinela Avançada do Progresso Paulista, muito contribuiu para isso, colaborando com as forças que queriam o retorno do Brasil à ordem constituída e ao império da Lei.
Com a vitória revolucionária, o prefeito João Arruda Brasil foi substituído por Rogaciano Nolasco, que tinha como seu assessor e chefe o Dr. João Marcondes Neto. Para interventor em São Paulo foi nomeado o General Valdomiro de Lima. Volta a reinar a paz, e o ano de 32 termina.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

ATA HISTÓRICA DA ASSOCIAÇÃO PARANAENSE MMDC 32 E HERÓIS NO CERCO DA LAPA

M.D.
Cel. MÁRIO FONSECA VENTURA
Presidente Nacional da SOCIEDADE DE VETERANOS DE 32 M.M.D.C.
 
 
Preeminente e nobre Paladino, boa tarde !
 
Tenho a honra de eviar à V. Sa., " ATA HÍSTÓRICA " da solenidade formal de fundação, nestas plagas, da "ASSOCIAÇÃO PARANAENSE M.M.D.C. 32 E HERÓIS DO CERCO DA LAPA", na qual tivemos a satisfação de contar com SUA prestigiósa presença, devidamente registrada, HOJE, no 1º Ofício de Títulos e Documentos de Curitiba - Estado do PARANÁ, para que
integre os arquivos dessa patriótica ENTIDADE.
 
Aproveito a oportunidade para apresentar-lhe nossos cumprimentos de estima e consideração.
 
MARIA HELENA MUNHOZ DA ROCHA TAGLIANETTI  /  1ª Secretária.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

MENSAGEM DE FRATERNIDADE

MENSAGEM DE FRATERNIDADE
2014 já surge no tempo. Chegou ao fim 2013, que foi para todos nós um ano cheio de dificuldades, apreensões e lutas de toda a sorte. Prevaleceu, porém, a notória formação democrática de nossa Sociedade, que pode ver superados todos os problemas, reforçando-se assim a crença nos princípios básicos que animam e fortalecem os nossos associados.

Quando a cortina do tempo cai sobre o ano que passa, retornando-o ao nada de onde veio, nós, da Sociedade Veteranos de 32-MMDC vivemos horas de novas esperanças, sentindo a necessidade de vibrar à expectativa de novos dias.
Quero, nesta data que recorda a FRATERNIDADE DOS POVOS, exaltar a SOCIEDADE VETERANOS DE 32-MMDC, cuja atuação tem sido marcante no seio da sociedade do Estado de São Paulo e nos instantes da PÁTRIA.

Sem nunca esquecer os seus deveres, modelada pelo espírito dos HERÓIS DE 32, cuja conduta e atuação de seus associados ajudaram muito o nosso desiderato, essa mesma SOCIEDADE tem-se mostrado mais e mais ciosa de seu bom nome e prestígio. Ela aí está, vencido mais um ano de lutas, engrandecida e sobranceira, como elemento destacado da Comunidade Nacional. Os 220 eventos de 2013, somados aos 140 de 2014, dizem tudo"

Defendendo o Associado, garantindo os princípios estatutários, mantendo a finalidade precípua da divulgação da EPOPÉIA DE 32, foi um baluarte na obra inestimável de aproximação e compreensão entre os seus componentes fazendo dessa maneira, jús ao reconhecimento e à estima da Sociedade que temos a honra de presidir.

De minha parte, na Presidência dessa gloriosa Sociedade Veteranos de 32-MMDC, tudo tenho feito para manter o clima de confraternização entre os associados. E posso afirmar que tenho encontrado da parte de todos a melhor colaboração, inspirada pelos mais elevados sentimentos.

CARÍSSIMOS IRMÃOS PELO IDEAL DE 32:

Prestando neste dia festivo homenagem ao vosso trabalho e a vossa comprovada lealdade, desejo emitir um voto sincero, entusiástico e cordial de perene felicidade a todos vós. Oxala se concretizem as aspirações de ordem, de paz e de progresso para todos nós. DEUS há de velar pela nossa Pátria, iluminando a estrada do bem que por ela caminhem todos nós crentes no seu glorioso por vir!!

Medalhas são símbolos e venerados em todo o mundo. As nossas honrarias muito têm ajudado na divulgação da nossa Sociedade. Ouso mesmo a dizer que se não fossem as nossas medalhas a Sociedade já teria fechado. O ser humano tem necessidade de ser homenageado e isso vemos nas nossas cerimônias de outorga. Vocês, presidentes de Núcleos, teriam comparecido em duas ocasiões históricas em que todos estiveram juntos, se não fossem o COLAR DA VITÓRIA e a MEDALHA DA CONSTITUIÇÃO??? Apenas a fogueira das vaidades prejudicam o juízo de valor de nossas condecorações.

Alguns por não serem agraciados, outros por ignorância na real finalidade da homenagem. Mas todos os associados terão o seu momento. O que não pode é todos receberem as condecorações ao mesmo tempo. Isso é impraticável e deve ser entendido por todos também.

Os núcleos de correspondência foram, por enquanto, os que mais deram certo porque pesquisam e vão a fundo nas finalidades primeiras da Sociedade. Mas todos deverão se valer,. cada vez mais, dos recursos do facebook, twitter, blogs e sites. Essa será a grande esperança para 2014. E os núcleos de base também deverão ter acesso a todos os recursos da informática. Não há nenhum impedimento nisso. CAMPINAS tem os dois tipos de núcleos e está dando muito certo. ITAPECERICA DA SERRA também encaminha para esse dispositivo. O sonho do presidente é ver TODOS UNIDOS, SEM MALQUERENÇA, sem ataques pessoais. Cisões são altamente prejudiciais aos nossos princípios. Evitei que isso acontecesse em 2013 por incompreensões surgidas e que foram sanadas.

Na data em que comemoramos a FRATERNIDADE DOS POVOS também queremos que haja uma profunda FRATERNIDADE entre todos os associados. Não posso aceitar "brigas" entre os associados. Peço que haja respeito mútuo entre todos e que dessa maneira, possamos levar avante as nossas metas neste 2014 que está nascendo.
PAZ E BEM A TODOS!!!


MARIO FONSECA VENTURA
CORONEL PM PRESIDENTE

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

MEMÓRIAS DE UM VETERANO - UM OLHAR DE 32 POR EMÍLIO RODRIGUES

Emílio Rodrigues, o último veterano que residia em Araçatuba, nasceu em 24 de Outubro de 1914 na cidade de Santos/SP, sendo ali criado por seus pais, Albino Rodrigues da Fonte e Dometilha Rodrigues Neves.
Conforme suas palavras não foi chamado para a Revolução, mas sim foi voluntário, alistando-se ainda jovem, aos 17 anos às Forças Constitucionalistas
Serviu fervorosamente em Conchal/SP, onde ocorreram combates ferrenhos de contenção à Frente Mineira e também onde viu companheiros e irmãos de armas tombarem.



Finda a Revolução em 02 de Outubro e as tropas dispensadas, veio a se casar e teve dois filho porém por força do destino tornou-se viúvo ainda jovem a viu seus filhos falecerem por doença. Desde então passou a residir em Araçatuba/SP, onde se fixou, se tornou comerciante e casou-se novamente com Otília Aparecida Ruas Rodrigues, filha de um dos fundadores da cidade, José Caetano Ruas, com quem teve um filho, arquiteto renomado na região Noroeste Emílio Ruas Rodrigues.

A família guarda com muito zêlo todas as documentações que tiveram acesso a respeito de sua participação na Revolução, recortes de jornais.

Em visita, Emílio nos presenteou mostrando seus arquivos. Dentre eles, A Medalha do Cinquentenário da Revolução, e o anel de ferro em substituição à aliança, doada na Campanha Ouro para o Bem de São Paulo.

Emílio faleceu em Maio deste ano, aos 98 anos de idade e encontra-se sepultado no jazigo da família Ruas Rodrigues, próximo ao Mausoléu da Polícia Militar em Araçatuba/SP, no cemitério da Saudade.

A este valoroso Soldado Constitucionalista, nossa singela homenagem:


Carta dos cunhados de Emílio informando sobre o album e enaltecendo sua particapação na Revolução  de 32.

Emílio recebendo a Medalha do Cinquentenário da Revolução Constitucionalista


Recebendo mais homenagens.

Emílio em solenidade no ano de 2010 conduzida pelo Comando de Policiamento do Interior 10, onde foram plantadas após o desfile cívico-militar 78 mudas de plantas ornamentais representando os 78 anos da Revolução























































































Anel da Família Rodrigues dado àqueles que deram "Ouro para o Bem de São Paulo".



Ainda estou devendo algumas fotografias retiradas do acervo, devido a problemas com a máquina fotográfica.

O material é riquíssimo, e demonstra todo o amor de um guerreiro bandeirante pelo Movimento ao qual lutou de forma voluntária e abnegada.